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janeiro 22, 2022
Política Rural

FAESP: Com 5G, valor da produção rural pode crescer até mais de R$ 100 bilhões

Presidente da entidade, Fábio de Salles Meirelles, afirma que implementação da tecnologia vai gerar empregos e investimentos para a agropecuária paulista

O leilão para a implementação da quinta geração de telefonia móvel e de banda larga, o chamado 5G, realizado no início de novembro, foi muito comemorado por diversos setores da economia e a razão principal de tanta euforia é a expectativa em relação a tudo o que pode proporcionar a velocidade de rede de até 100 vezes superior a utilizada hoje em muitos lugares do País. Isso, na prática, representa muito mais do que a possibilidade de baixar vídeos mais rapidamente e sem ficar “travando” a tela, ou de melhorias na comunicação e conectividade entre pessoas e empresas, é a pavimentação para impulsionar negócios, gerando emprego e renda para muitos segmentos, entre eles o do agronegócio.

Toda essa transformação digital no campo, além de garantir uma produção mais sustentável, poderá elevar o potencial produtivo do agronegócio brasileiro, sinalizam estimativas de diversos órgãos e consultoria. Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em projeção feita com base em estudo desenvolvido pela Esalq/USP, com a ampliação de apenas 25% na conexão do campo, já será possível um aumento de 6,3% no Valor Bruto da Produção (VBP) da agropecuária brasileira. No entanto, se a implementação de tecnologias, sejam elas 2G, 3G, 4G e 5G, chegar a 90% das áreas, isso poderia impulsionar o VBP do agronegócio em R? 101,47 bilhões.

“O uso da tecnologia é essencial no campo hoje. E a agropecuária paulista certamente estará na vanguarda tecnológica do 5G. Isso vai gerar mais produtividade, competitividade, empregos e investimentos nos próximos anos”, afirma o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (FAESP), Fábio de Salles Meirelles.

O avanço da velocidade no tráfego de dados no campo, por exemplo, é representado pelas ferramentas que poderão ser adotadas por produtores, que favorecem o acompanhamento das lavouras, aumentam a previsão da colheita e permitem, até mesmo, operar máquinas remotamente. O trabalho poderá ser realizado, inclusive, sem intermediação humana, a partir da coleta de dados por uma rede de sensores conectados ao solo, a plantas e a animais, fornecendo um retrato real das condições da propriedade e, com isso, otimizando os resultados.

Isso tudo será possível porque, além da nova tecnologia, as operadoras de telefonia se comprometeram a expandir a rede de internet, conectando mais cidades. E estes são, justamente, os maiores gargalos da conexão no campo: a forte limitação de acesso e uma infraestrutura limitada.

Só para ter uma ideia da baixa conectividade nas áreas rurais, de acordo com dados do Atlas do Espaço Rural Brasileiro, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dos 5,07 milhões de propriedades existentes hoje, 3,64 milhões de estabelecimentos rurais ainda operam sem internet, o que indica que mais de 70% das propriedades rurais trabalham no modo off-line.

“O nosso grande desafio é aumentar a conectividade, sobretudo das propriedades de menor porte, já que os grandes produtores estão mais avançados. A FAESP está ao lado dos produtores para caminharmos cada vez mais na tecnologia no campo”, diz o presidente.

Da porteira para dentro

Uma conectividade mais robusta para o campo potencializa o acesso à agricultura de precisão, resultando em maior produtividade e eficiência das lavouras e nas criações de animais, consolidando a agricultura 4.0.

Com a tecnologia 5G será possível, por exemplo, identificar e monitorar pragas e deficiências nutricionais em tempo real, com a transferência de informação ocorrendo do campo direto para o escritório e, assim, tomar as melhores decisões de maneira mais rápida. Uma das ferramentas para colher estes resultados é a utilização de drones para controle e prevenção, pois estes equipamentos podem ser usados, por exemplo, para mapear a terra, analisar o solo e as culturas e aplicar defensivos agrícolas.

Na pecuária, será possível adotar a rastreabilidade de animais desde o nascimento até o abate, garantindo que não sejam produzidos em áreas embargadas ou desmatadas irregularmente. “A pecuária brasileira, principalmente a paulista, está adotando práticas cada vez mais sustentáveis. Com o 5G, a tendência é de melhoramos cada vez mais neste quesito”, ressalta Meirelles.

Outros dispositivos que o 5G permitem implementar são sensores conectados ao solo, às plantas e aos animais; sistemas de irrigação e inteligentes de monitoramento de pragas e tecnologias vestíveis; além de proporcionar a conexão de máquinas por meio da internet das coisas (IoT, na sigla em inglês) e da sincronização de dados entre a operação de colheita e o recebimento de grãos no armazém.

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