0 C
Franca, BR
julho 3, 2020
Agricultura Gestão Rural

Faesp aprova Plano Safra, mas pede mais apoio a hortifrútis e setor sucroenergético

Fábio de Salles Meirelles, presidente do Sistema FAESP-SENAR-AR/SP (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo/Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), salienta que o lançamento do Plano Safra 2020-2021 foi positivo e exigiu grande empenho da ministra Tereza Cristina, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, bem como do titular da Economia, Paulo Guedes. Porém, poderia estar mais alinhado com a realidade, considerando a conjuntura atual da pandemia da Covid-19.

“Neste momento, o setor tem desenvolvido grande esforço para o abastecimento interno e exportações, fortalecendo a balança comercial do País. Levando-se em conta que o mundo precisa de nossos produtos e o dólar está favorável às exportações, poderíamos ter sido mais arrojados no plano, que, no geral, é positivo. Salientamos, desde já, entretanto, esperar que os recursos cheguem efetivamente ao produtor, sem burocracia e no momento em que ele precisa, para que se mantenha a produção, a produtividade, o emprego e renda no campo, com sustentabilidade”, acentua Meirelles.

Importância do crédito e seguro rural
Um aspecto positivo é a expansão de 6% dos recursos para o crédito agrícola em relação à safra 2019-2020, com o volume subindo de R$ 222,64 bilhões para R$ 236,3 bilhões. “Ressalve-se que se trata de programação, ou seja, o que o governo considera que conseguirá aplicar, com uma política de equalização e incluindo dinheiro a ser aportado também pela iniciativa privada”, observa o presidente da Faesp, salientando que os juros para o crédito rural não tiveram redução proporcional à da Selic. Ele explica que uma taxa menor para o setor depende de maior subvenção pelo governo, esbarrando na questão fiscal. Ademais, os bancos também não concordaram com uma subvenção menor.

“Cabe lembrar que o crédito é o principal instrumento da política agrícola”, enfatiza Meirelles, analisando: “Para os grandes produtores, houve redução dos juros de 8% para 6%, em relação ao no passado; para a média agricultura, caíram de 6% para 5%; e para os pequenos produtores, cujas taxas eram de até 4,6%, o novo patamar ficou entre 2,75% e o máximo de 4%”.

O líder setorial lembra que, em 2019, a programação de recursos com juros livres representava 33% do total. Este ano, ficou em 34,7%. “Houve a preocupação de entregar, na ponta do crédito, uma taxa mais controlada e menos dependente dos agentes financeiros privados. O importante é que os pequenos e médios produtores, faixa na qual se concentra o maior contingente, seguem com apoio do governo, com uma política de juros diferenciada”.

O presidente da Faesp ressalta que outro ponto importante do Plano Safra 2020-2021 diz respeito à política de subvenção ao prêmio do seguro rural, que é o segundo aspecto mais importante para o fomento da agropecuária. “Esperávamos R$ 1,5 bilhão, valor defendido pela própria ministra Tereza Cristina, mas que, nas discussões com a pasta da Economia, caiu para R$ 1,3 bilhão. De todo modo, representa expansão superior a 30% em relação ao ano passado, o que é significativo”.

Setor sucroenergético e hortifrútis
O presidente da Faesp ressalva que, no plano apresentado pelo governo, faltou menção mais específica ao setor sucroenergético, principalmente no segmento agrícola paulista. Embora em maio e junho haja sinalização de que o consumo de etanol tenha aumentado, conforme preconiza campanha lançada pela entidade, os produtores têm sofrido bastante. “Trata-se de uma atividade que, por sua importância, merece maior atenção”. Há, contudo, um avanço, defendido há anos pela Faesp: a inclusão da cana-de-açúcar na política de garantia de preços mínimos. Isso tende a facilitar o crédito, principalmente para estocagem.

“Finalmente, também demandamos do governo maior apoio à pequena agricultura, principalmente o segmento de hortaliças, frutas e flores, o que mais sofreu com a pandemia da Covid-19, com perda enorme de produção. Faltou contemplar isso no Plano Safra”, frisou Meirelles.

Related posts

Governo vai incentivar maior oferta de seguro aquícola em 2020

Fabrício Guimarães

CONAB MOSTRA CENÁRIO POSITIVO PARA INFLAÇÃO E ATIVIDADE AGRÍCOLA

Fabrício Guimarães

Homenagem na Câmara ao ambientalista do ano

Deixe um comentário