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abril 16, 2021
Pecuária

APTA desenvolve tecnologia inédita para a produção de gado de corte ( Boi 7.7.7 )

Produzir mais e melhor em menor tempo deve ser o sonho de qualquer produtor rural. Mas para conseguir resultados satisfatórios é necessário planejamento. A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), desenvolveu tecnologia inédita para a produção de gado de corte. O trabalho foi conduzido no Polo Regional da Alta Mogiana da APTA, localizado em Colina, interior paulista. O chamado “Boi 7.7.7” tem como resultado um animal com sete arrobas na desmama, sete na recria e outras sete na engorda, totalizando 21 arrobas no momento do abate. Esse resultado é obtido em dois anos no máximo. No sistema tradicional de produção são necessários, no mínimo, três anos para o animal atingir 18 arrobas. Além da produção precoce, a tecnologia pode aumentar em até 30% os lucros dos pecuaristas.

 

Produtores de São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Goiás, Minas Gerais, Paraná e Rondônia já começaram a adotar a tecnologia da APTA. As pesquisas para o desenvolvimento do Boi 7.7.7 começaram a ser realizadas há cerca de dez anos. Este ano, os resultados estão sendo apresentados pela primeira vez para o grande público durante o Circuito Expocorte 2015. Todos os cinco circuitos que compõem o evento, realizados em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Tocantins e Roraima – principais regiões brasileiras de produção de gado de corte –, terão o trabalho da APTA como discussão central.  O primeiro circuito foi realizado em 11 e 12 de março de 2015. Os próximos estão programados para 29 a 30 de junho, 24 a 25 de setembro, 29 a 30 de outubro e 25 e 26 de novembro de 2015.

 

A produção de bovinos com qualidade e tempo 30% menor requer planejamento e estratégias. “É necessário que sejam utilizadas diversas ferramentas para atingir esse resultado. O trabalho envolve, principalmente, manejo de pasto e suplementação alimentar”, explica Gustavo Rezende Siqueira, pesquisador da APTA.

 

A dosagem da suplementação varia de acordo com o peso do animal: quanto maior, maior a dosagem. “Essa suplementação ajuda no ganho de peso e não causa nenhum prejuízo para a saúde do animal. Pelo contrário, ela proporciona melhor bem estar a ele”, afirma o pesquisador da APTA, Flavio Dutra de Resende.

 

Em uma produção normal, os produtores conseguem fazer o giro – como é chamado o período entre o início da produção até o abate – em três anos. Com a tecnologia APTA, é possível fazer um giro e meio nesse período. Essa precocidade do sistema é importante para toda a cadeia de produção. “Tempo é dinheiro. Essa redução no tempo de permanência do animal no pasto aumenta em até 30% os lucros dos produtores”, afirma Resende. Apesar de os custos de produção serem maiores, os pecuaristas conseguem produzir mais em uma mesma área e ter produtos com qualidade superior para comercialização.

 

Produzir em menor tempo também traz benefícios para os consumidores e o ambiente. Os consumidores terão à disposição carne com melhor qualidade, com sabor, maciez e coloração atrativa. “O consumidor escolhe o produto na gôndola do mercado pela cor. Quanto mais velha a carne, mais escura, o que gera desinteresse pelo produto. A carne mais nova é melhor em tudo, em comparação com a velha”, afirma Resende. O Secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, ressalta que além do aspecto econômico e de qualidade do produto que será usado pelos consumidores, a nova tecnologia tem importância ambiental. “A precocidade na produção de gado significa menores emissões do gás metano à atmosfera, considerado o segundo maior contribuinte para o aquecimento da Terra”, afirma.

 

De acordo com o Coordenador da APTA, Orlando Melo de Castro, como entidade gestora e executora da pesquisa agrícola, é necessário nortear as ações a fim de atender às necessidades dos setores de produção, que só podem ter êxito se tiverem seus produtos bem aceitos pelos mercados consumidores. “No caso da pecuária, é necessário produzir considerando a qualidade exigida pelos comércios, a sanidade dos rebanhos e a viabilidade econômica, além de minimizar os impactos ao ambiente. Nesse cenário, a tecnologia do Boi 7.7.7 atende a todos os quesitos. É uma grande contribuição da APTA a um setor altamente relevante para a economia nacional”, avalia Castro.

 

A tecnologia da APTA viabiliza também a produção de animais inteiros, ou seja, não castrados, com mais gordura de cobertura. De acordo com Resende, o animal inteiro engorda mais rápido do que o castrado, porém, a camada de gordura de cobertura, importante para a proteção da carcaça durante o resfriamento, é menor. O pesquisador da APTA explica que a carcaça é conservada nos frigoríficos em câmeras refrigeradas e se a camada de gordura de cobertura for mais fina, a carne fica enrijecida. “É a mesma coisa que acontece com a gente. Por exemplo, se estamos sem camisa e entramos em uma sala com ar condicionado a 17ºC, tendemos a encolher de frio. Agora, se estamos mais bem agasalhados e entramos nesse ambiente, não temos esse problema. A gordura de cobertura é importante para proteger a carne”, exemplifica.

 

Opinião do usuário

 

Alaor Ávila Filho, pecuarista de Indiana, Goiás, é um dos usuários da tecnologia chamada Boi 7.7.7, desenvolvida pela APTA. Ávila começou a adotar o sistema de suplementação intensiva, em 2014, e aprova os resultados. Antes desse novo método, conseguia engordar até seis arrobas por cabeça, por ano. Agora, são alcançadas 11 arrobas.

 

A lotação de animais passou de 1,5 animais UA/ha para 2,4 UA/ha, de 450 kg cada. Ávila conseguia produzir, em média, 15 arrobas por hectare, por ano. No histórico da sua propriedade, a melhor produção, até então, era de 20 arrobas por hectare. Com a pesquisa paulista, o produtor goiano consegue produzir, atualmente, 31 arrobas, por hectare, por ano.

 

“Foram três mudanças substanciais ao adotar a tecnologia da APTA. O investimento inicial foi três vezes maior, mas como a produtividade foi muito mais alta, o custo da arroba produzida caiu pela metade. Com isso a rentabilidade da operação aumentou substancialmente”, afirma. Para se ter uma ideia, na safra 2012/2013, Ávila obteve lucro líquido de R$ 900,00, por hectare. Com a adoção do sistema Boi 7.7.7, esse valor saltou para R$ 2.060,00, por hectare de lucro líquido, ou seja, descontados todos os custos de produção.

 

“Esse sistema requer organização e estratégia. Recomendo ao produtor ter um consultor para auxiliar, além de planejamento, estratégias e informações sobre custos, metas. Se o produtor for bem organizado, esse sistema da APTA é imbatível”, considera Ávila.

 

Com a tecnologia da APTA, o produtor conseguiu mudar a estratégia de seu negócio. Na safra de 2014/2015, ele começou a comprar animais de sete arrobas, engordando mais sete e levando para um confinamento terceirizado, onde é feita a engorda das sete arrobas finais para abate. “Com essa mudança no meu sistema de criação, minha produção saltou de cerca de 1380 animais, por ano, para 2500”, conta.

 

Toda a produção de Ávila é certificada e exportada. O rebanho é composto por animais muito precoces, com abate até no máximo 26 meses. A qualidade da alimentação e a idade garantem uma carne bovina de excelência aos consumidores.

 

Polo Regional da Alta Mogiana da APTA

 

O Polo Regional da Alta Mogiana é uma das 14 unidades de pesquisa regional da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), que é composta ainda pelos seis Institutos de Pesquisa agrícola do Estado. O Polo Regional da Alta Mogiana, localizado em Colina, interior paulista, é formado por 2.480 hectares, sendo 30% dessa área usada para reserva de mata.

 

Além dos trabalhos com pecuária de corte, os pesquisadores da Unidade da APTA trabalham para aumentar a produtividade e melhorar a qualidade do leite em pasto. Há também pesquisas para o  desenvolvimento de cavalos da raça Brasileiro de Hipismo, disponibilizados para a Polícia Militar do Estado de São Paulo. Os trabalhos da unidade contemplam ainda avaliação de híbridos de milho e feijão, apoiando o programa de melhoramento genético do Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, com o objetivo de ampliar a produtividade das plantas, o desenvolvimento de novos materiais de seringueira e produção de citros adensado e controle do greening.

 

A Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) é a maior instituição estadual de pesquisas no Brasil e a segundo maior do País. Em 2013, 1.531 projetos de pesquisa estiveram em desenvolvimento na APTA, nas áreas de agroexportação, grãos e fibras, proteína animal, hortícolas e agronegócios especiais, desenvolvimento regional, políticas públicas e bens de capital e informações.

 

Só em 2013, foram produzidos 386 mil quilos de sementes básicas, destinadas à multiplicação comercial para o atendimento da demanda dos agricultores. Esses materiais levam à obtenção de altas produtividades nas lavouras, associadas a ganhos de qualidade na produção final.

 

Texto: Fernanda Domiciano

 

Edição: Carla Gomes (MTb 28156)

 

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